Minha Vida Na Farmacia!


15/01/2008


E Eles Verão A Deus - Unidos da Ponte 1983 / 2005.

Um dos sambas-enredo mais bonitos que já passou pela Passarela do Samba apareceu através de uma pequena e simpática escola da baixada fluminense, a Unidos da Ponte. Escola de São João de Meriti, fundada no final de 1952 (03 de novembro), se filiou a Associação das Escolas de Samba em 1959 e desfilou durante grande parte da década de 80 e em alguns anos da década de 90 no grupo principal entre as grandes escolas. Hoje a quadra da Unidos da Ponte se se encontra no barrio da Pavuna (localizado no município do Rio de Janeiro, faz divisa com o município de São João de Meriti). O samba "E Eles Verão A Deus", inaugurou uma época da escola que figuraria entre as grandes a partir de 1983 até 1989. Não poderia ser melhor, "E Eles Verão A Deus" surpreendeu em letra e melodia, agradou o público e a crítica, porém não tanto os jurados, a escola ficou apenas com a 11ª colocação. "E Eles Verão A Deus" é uma linda homenagem aos artista, que são postos como Deuses da criação da arte. Afinal, eles são Deuses pois criam um universo de beleza e cor, um mundo irreal e fantasia. Se o mundo fosse tão belo como a criação desses artistas, teríamos um mundo de paz e felicidade. Talvez seja por isso que esse mundo que é retratado pelos artistas, seja tão belo e ao mesmo tempo irreal.

Letra do Samba: E ELES VERÃO A DEUS:

"Hoje a natureza canta

A musa se encanta

E vem pra festejar

E vem sorrir que a vida é bela

Nas cores de seu despertar

 

E um alguém que sorriu pra ela (BIS)

Bordou a paz e foi feliz

E viu o mundo assim

Uma aquarela

 

Oh ... divina inspiração

Que iluminou a imaginação

Dos que eternizaram

Momentos de grande valor

A imagem do amor

A verdade da vida

Dança meu povo

Que a arte coloriu a sedução

Surgem da tela os personagens

Na força de uma nova dimensão

Murmura o mar

Responde o ar

Gargalha o dia

O criador e a obra

Viajam ao irreal da fantasia

Eles verão...

 

E eles verão a Deus (bis)

Nos sonhos que fizeram o seu sonhar

E eles verão a Deus

Razão de todo o seu imaginar".

 

Dados do Samba:

Enredo: "E Eles Verão A Deus";

Ano: 1983 / Reeditado 2005.

Colocação:

1983: 11º Lugar no Grupo1A (atual Grupo Especial).

2005: 6º Lugar no Grupo B.

Autor do enredo: Geraldo Cavalcante.

Carnavalesco em 1983: Geraldo Cavalcante.

Carnavalesco em 2005: Edgley Cunha.

Interprete em 1983: Grilo.

Interprete em 2005: Nélio Marins.

Autores do samba: Mazinho, Ambrósio e Renatinho.

 

Dados do G.R.E.S. Unidos da Ponte:

FUNDAÇÃO: 03/11/52

CORES: Azul e Branco

SÍMBOLO: Aperto de Mão

GRUPO ATUAL: Grupo de Acesso C

QUADRA: Rua Sargento de Milícias, 80, Pavuna

BARRACÃO: Av. Venezuela, 206 Centro.

 

COMENTÁRIO CRÍTICO (retirado do site: http://balto.sites.uol.com.br/samba12.htm ):

QUANDO UMA GRANDE ESCOLA IMPÕE UM GRANDE SAMBA NA HISTÓRIA E MEMÓRIA DO CARNAVAL POUCO IMPRESSIONA, MAS QUANDO UMA PEQUENA ESCOLA, COMO A UNIDOS DA PONTE, ESCREVE UM SAMBA, PRIMEIRO NA MÍDIA E DEPOIS NO CORAÇÃO DO PÚBLICO, PODE-SE ESTAR CERTO DE QUE MAIS DE UM LEÃO FOI MORTO PARA ESSE FEITO!
A GRANDIOSIDADE DESTE LÍRICO SAMBA DE ENREDO, UMA DAS MARAVILHAS POÉTICAS DO CARNAVAL, SÓ PODE SER ENTENDIDA DENTRO DO CENÁRIO DA CULTURA POPULAR. AFINAL A SIMPLICIDADE AQUI É TÔNICA PRINCIPAL.
ESTA LETRA, EMBALADA EM MELODIA DAS MAIS DOCES DA HISTÓRIA DOS SAMBAS DE ENREDO,E É MAGNÍFICA: O SAMBA HOMENAGEIA TODOS OS ARTISTAS;PORÉM AQUI A NATUREZA (TRANSFORMADA PELA ARTE), ELA EM SI, PERSONIFICADA, CANTA - A MUSA SE ENCANTA, VEJA-SE: NÃO COM O ARTISTA, MAS COM A NATUREZA QUE CANTA AO ARTISTA!
O RESUMO DOS MOMENTOS DE VALOR QUE A ARTE EXALTA SÃO DE UMA CONCISÃO E PRECISÃO INCRÍVEL: "A imagem do amor , A verdade da vida..."O QUE MAIS FAZ A ARTE?
DA TELA DO DESFILE, AS PERSONAGENS E IMAGENS SAEM EM HOMENAGEM AO CRIADOR, O ARTISTA: AS PAISAGENS SE FAZEM REPRESENTAR E OBRA E CRIADOR, VIAJAM NESTE SAMBA AO IRREAL DA FANTASIA!
E A VIAGEM, A CONCLUSÃO DAS CONCLUSÕES, MAIOR DO QUE A CRÍTICA PODERIA ESPERAR: ELES, OS ARTISTAS VERÃO A DEUS: A RAZÃO ÚLTIMA DE SEU IMAGINAR!
QUE SAMBA! QUE POEMA MAGNÍFICO! QUE GRANDE ESCOLA!

Dados extraídos dos sites:

http://balto.sites.uol.com.br/samba12.htm

http://www.odesfile.com/samba_rj_2005.html

http://www.galeriadosamba.com.br/V40/ES.asp?MWFKPLFKSRM90

http://www.galeriadosamba.com.br/V40/ES.asp?Í&çÉÕÊçÊÃÃÔ50

http://www.galeriadosamba.com.br/V40/ES.asp?parm=%3FGQ5FKG90&BT=OK

Escrito por Feidman, Diogo. às 4h18 PM
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10/01/2008


O que é ser um Hard-Core?

Eu não gosto de rótulos, muito menos de ser rotulado, pois creio que estando em constante contato com diversas ações dos sujeitos sociais, isso influência em constantes mudanças sobre nós mesmos. Assim sendo, numa visão antropológica, estamos recebendo e passando influência, modificando nós mesmos e modificando o meio social em que vivemos. Porém, existem pessoas com necessidade de rotular tudo, rotulam músicas, estilos, grupos sociais e até mesmo pessoas. Se há a necessidade do rótulo, ao menos procuro notar onde posso estar encaixado no meio em que vivo. Na vida vivemos diferentes papéis sociais: sou aluno na universidade, sou professor na sala de aula, sou filho em casa, sou clientes quando estou disposto a consumir algo em algum lugar... enfim, temos diversos papéis sociais. No entanto, existe características próprias de cada pessoa e dizem que a música pode dizer muito sobre alguém. Partindo do princípio de que o gosto musical pode apontar o estilo e característica de uma pessoa, em minha concepção me aproximo mais do Hard-Core. Mas o que é ser um Hard-Core? Antes de responder a essa pergunta faz-se necessário conhecer as raízes daquilo que conhecemos como estilo de música Hard-Core. O aparecimento do Hard-Core surge no início da década de 1980 e está muito ligado ao movimento punk, na verdade o Hard-Core apareceu como um novo estilo, porém sobre influência do punk-rock. Sua principal característica é o tempo extremamente acelerado dos instrumentos, vocal cantado de forma agressiva, podendo ser de forma distorcida, as canções são curtas e as letras voltadas ao protesto político-social. O Hard-Core surge quase simultâneo tanto nos Estados Unidos como na Europa, as bandas mais conhecidas dentro desse estilo nessa época são o Black Flag, GBH, Varuskers, Dead Kennedys, Suicidal Tendencies, Discharge e Teen Idles. No Brasil as principais bandas que seguiram com essas características, foram, Resto de Nada, Inocentes, Olho Seco, Cólera e Ratos de Porão, essa último inclusive, foi a primeira em nosso país em assumir o termo Hard-Core. O termo Hard-Core traduzido literalmente para nosso idioma, recebe a tradução de "núcleo duro", porém soa mais adequado interpretá-lo como "casca grossa", isto devido as notas pesadas das músicas. Então, um Hard-Core chega a ser um "casca grossa", mas hoje no sentido de não aceitar as imposições que lhe são impostas, por isso também, as letras político-sociais. O próprio Hard-Core mais tarde influenciaria outras tendências musicas e sofreria modificações, o Grindcore, Metalcore, Crustcore... entre outros. Mas minha paixão em particular é o Hard-Core Melódico. Muitas vezes confundido com emocore (que é outra proposta, não tem nada a ver) quem gosta desse estilo musical até sofre ao ouvir "esse treco não é Hard-Core". Na verdade, o Hard-Core Melódico surge com maior força no fim dos anos 80 e início dos anos 90. Mantém a velocidade dos instrumentos, porém, preza pela melodia nos vocais. Isso faz com que os vocais passem a ser menos agressivo ou simplesmente deixem de ser agressivos. Muitas vezes o Hard-Core Melódico também tende a ser confundido com o punk-rock, até porque a banda que mais influenciou a maioria das bandas de Hard-Core Melódico foi uma banda de punk-rock, o Ramones. Há diferenças entre Hard-Core e punk-rock apesar das fortes ligações entre os dois. O punk sempre esteve mais preocupado com o visual, o cabelo despenteado, de moicano ou espetado, a preocupação com acessórios do tipo correntes entre outros faz parte do punk-rock. Porém ao Hard-Core, isso não ocorre, muitos raspam a cabeça, andam largados, mas não há uma preocupação maior com o visual. A única preocupação que um Hard-Core chega a ter com vestuário, é quando há a necessidade a se adequar a prática do skate. Já que muitos adeptos ao estilo musical que também se inseriram na prática do skate, com muitos aderirando roupas mais usuais da tribo skatista. Podemos enquadrar como principais bandas ao estilo Hard-Core Melódico: NOFX, Pennywise, Bad Religion, Strung-Out, Lagwagon, Good Riddance e Millencolin. No âmbito nacional temos (ou tinhamos, pois algumas bandas acabaram): StreetBulldogs, Nitrominds, Dead Fish, Sugar Kane, La Puta Madre e Gritando HC. Porém podemos notar algo nessas bandas, na maioria dos casos, apesar de predominar o Hard-Core Melódico, as bandas não costumam se restringir apenas ao Hard-Core Melódico, assim como nas letras das músicas, que também costumam tratar não apenas de temas político-sociais, mas também trata de assuntos do cotidiano. Ser um Hard-Core hoje é ter como preocupação principal os assuntos político-sociais, mas ninguém é obrigado a apenas viver dentro dessa esfera. Então vamos tentar responder... o que é ser um Hard-Core? Um Hard-Core não precisa andar que nem mendigo (aqui deixamos claro que não somos grunge! "risos"), mas vaidade não faz parte da vida de um Hard-Core, é um ser meio largado nesse aspecto, grife não existe no mundo Hard-Core. Um Hard-Core é extremamente um ser politizado. Antenado no que acontece no país e no mundo, procura ter opinião própria sempre e faz todo possível para fugir das armadilhas ideológicas (nesse caso trato do conceito de ideologia apropriando a visão de M. Chauí). Costuma gostar de esportes radicais, mas isso não é um aspecto obrigatório de uma pessoa Hard-Core. Um Hard-Core também é contra discriminação e preconceito, pois é sempre a favor da igualdade entre as pessoas, essas idéias de luta contra preconceito e discriminação vem da influência direta do punk. Mas talvez o fundamento mais importe característico de um Hard-Core, é a vontade e a luta de mudar o mundo de alguma maneira, a sua forma. Isso é ser um Hard-Core!

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hardcore_%28punk%29

CHAUÍ, Marilena. O Que É Ideologia. SP. Editora: Brasiliense, 18ªed. 1985.

Som de hoje: Proprietários do Terceiro Mundo - Dead Fish.

Escrito por Feidman, Diogo. às 4h51 PM
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04/01/2008


É HOJE O DIA! - G.R.E.S. União da Ilha do Governador - Carnaval 1982 / 2008.

Há quase 26 anos (21/02/1982) a União da Ilha do Governador lançava o enredo "É Hoje!" com então carnavalesco Max Lopes. A escola empolgou a Marquês de Sapucaí e levantou o público, porém a escola ficou apenas com a quinta colocação. A campeã daquele ano foi o Império Serrano com "Bum-bum Paticumbum Prugurumdum". O fato é que ambos os sambas, tanto do Império como da União da Ilha ficaram imortalizados no carnaval. Nos blocos, nas quadras das outras escolas de samba, nos clubes e nos salões este samba enredo é cantado. Há quase 7 anos no grupo de acesso (desde 2002) a União da Ilha tenta resgatar o que tem melhor que é a alegria de brincar o carnaval para voltar ao Grupo Especial. Por isso nada mais sugestivo do que o samba "É Hoje!", um samba que tem a responsabilidade de fazer com que a União da Ilha mostre sua tradição, brinque o carnaval e recupere o respeito frente a todos. Abaixo segue a letra da música dos autores Didi e Mestrinho:

É Hoje:

A minha alegria atravessou o mar

E ancorou na passarela

Fez um desembarque fascinante

No maior show da terra

Será que eu serei o dono dessa festa

Um rei no meio de uma gente

tão modesta

Eu vim descendo a serra

Cheio de euforia para desfilar

O mundo inteiro espera

Hoje é dia do riso chorar

Levei o meu samba

Pra mãe-de-santo rezar

Contra o mau olhado

Carrego o meu Patuá

Acredito ser o mais valente

Nessa luta do rochedo com o mar

É hoje o dia da alegria e a tristeza

Nem pode pensar em chegar

Diga espelho meu

Se há na avenida

Alguém mais feliz que eu

E para mostrar que samba também é cultura, abaixo segue uma sinopse feita pelo carnavalesco da União da Ilha deste ano, Jack Vasconcelos.

Mas afinal, que dia é esse? Que dia é esse que nos faz tremer, suar frio e o coração bater mais forte? Que nos faz sofrer sem dor? Que nos faz temê-lo e, ao mesmo tempo, ansiar pela sua excitante chegada? Que dia é esse que nos extrai o sangue, o suor e até mesmo nossas lágrimas? Que faz nossa individualidade ser completamente absorvida pelo êxtase coletivo?

"A minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante no maior show da terra*"

Ilha, uma extensão de terra cercada de água por todos os lados. Por isso, todos os anos, a minha alegria atravessa o mar e ancora na passarela para fazer seu desembarque fascinante no carnaval! Foi também atravessando o mar que os negros africanos nos trouxeram sua alegria - é claro que não nos referimos às condições degradantes a qual foram submetidos no processo de escravidão, e sim ao caráter festivo dos povos africanos - e ancoraram por aqui toda a sua ancestralidade cultural. Artífices de "mãos cheias" que talham, trançam, esculpem, pintam e forjam como poucos. Além das tradições plásticas, orais como o "griot" (pai do enredo) que narra as histórias de seus antepassados, e musicais como seus batuques, ritos e instrumentos. Música para a magia, para a fé, para o amor, para a guerra, para os homens conversarem com seus deuses... Tambores, atabaques e afins, unindo-se aos cânticos e louvores. Suas Nações e dinastias vindas de várias partes da África, clamando por Olorum ou por Alá, fizeram o desembarque fascinante de suas culturas para lançar em nossa terra a semente que germinaria o maior show do planeta.

"Será que eu serei o dono dessa festa?
Um Rei no meio de uma gente tão modesta*"

Espalhando seus cantos, danças e crenças, a força do trabalho negro embalou nosso mestiço país menino. Das sonoras noites nas senzalas nasce o lundu misturado aos bate-coxas e umbigadas, estimulando a imaginação dos moradores da casa-grande. Com a chegada gloriosa do batismo cristão, ganhou-se o domingo para as festas e batucadas após a santa missa matinal, bem alinhados em roupas coloridas e vistosas. Festejos negros em homenagem a santos católicos florescem e, desta união sincrética, vão aparecer cerimônias, autos e embaixadas. Coroações de Reis e Rainhas com seus séqüitos reais, misturando hierarquia africana com monarquia portuguesa em cortejos processionais. Muitos continham dramatizações e encenações em seu desenvolvimento, contavam e cantavam alguma história, como um enredo. Modelos estes, aliás, seguidos até hoje como formato de desfile pelas escolas de samba.

"Eu vim descendo a serra, cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera, hoje é dia do riso chorar*"

E o "cortejo" virou preferência na organização da brincadeira de carnaval, em resposta à bagunça agressiva do antigo entrudo português que emporcalhava as pessoas e a cidade. Grupos e comunidades se reuniam para desfilar fantasiados pelas ruas. Espocam as Sumidades, Cordões e Ranchos carnavalescos. As "procissões" continuam, com o povo fantasiado tocando seus instrumentos, cantando e dançando, para misturar de vez as raças e classes. As turmas e famílias com fantasias unificadas inspirariam o surgimento das chamadas "alas" e as exibições das luxuosas e engenhosas alegorias das Grandes Sociedades influenciariam as escolas de samba na construção de seus "carros alegóricos", além de nos presentear com a tradição das "comissões de frente" como os mestres de cerimônia dos desfiles.

"Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mau-olhado carrego o meu patuá
Acredito ser o mais valente nessa luta do rochedo com o mar*"

Sob as densas fumaças perfumadas dos incensos, rezado, benzido e iluminado pelas velas de cera dos barracões de fé, o nosso bom e velho samba é filho legítimo dos terreiros das religiões afro-brasileiras, com seus Orixás e entidades, herdando o misticismo, a musicalidade e a tradição dramática de seus pontos e louvores. Marginalizado e perseguido, é gerado, alimentado e escondido nos fundos das casas das "tias baianas" na Praça XI. Mas o samba vencerá as dificuldades e ganhará força com o aparecimento das primeiras "escolas de samba", que traduzirão em seus desfiles o histórico da influência e da resistência cultural negra na miscigenação de nosso povo.

"É hoje o dia da alegria
E a tristeza nem pode pensar em chegar*"

"É hoje!". Assim exclamavam os negros nos preparativos dos antigos congos. Os foliões exclamam excitados para o grande momento, único e decisivo, para o qual se preparam o ano inteiro: o desfile de sua escola do coração. Revivem-se as tradições dos antepassados com todos os seus elementos se agrupando para compor uma só festa. Das casas simples, das ruas de asfalto ou do alto dos morros, sai a nobreza do samba. Trabalhadores esquecem das dificuldades do cotidiano e têm seus dias de reis e rainhas, ou damas e fidalgos; homens e mulheres, jovens e velhos, ricos e pobres, comungam a santidade deste momento ancestral que corre nas veias de todos nós. Da comissão de frente à velha guarda, a expectativa para a hora da explosão de euforia num misto de honroso dever e satisfação pessoal. A felicidade é insulana e alegria é sinônimo de União da Ilha do Governador, famosa pelos desfiles coloridos e memoráveis que traçaram o caráter apaixonantemente feliz da escola. É hoje o dia! A azul, vermelha e branca evoca seu passado glorioso rumo a mais uma conquista na construção de um futuro de vitórias. Caramba, segura a marimba que lá vem a Ilha!

"Diga, espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu?*"
Duvido.

Jack Vasconcelos
Carnavalesco



BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

*Samba de Enredo "É Hoje", Didi e Mestrinho. G.R.E.S. União da Ilha do Governador. Rio de Janeiro: Top Tape música ltda, 1981.

ARAÚJO, Hiram. "Carnaval: Seis Milênios de História". Rio de Janeiro: Gryphus, 2003.

CASCUDO, Luís da Câmara. "Made in África". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.

ENEIDA. "História do Carnaval Carioca". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1958.

FERREIRA, Felipe. "O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro". Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

LAN (pseudônimo). "As Escolas de Lan" / Ilustrações de Lan (Lanfranco Vaselli); texto de Haroldo Costa. Rio de Janeiro: Novas Direções, 2001.

MORAIS FILHO, Melo: "Festas e Tradições Populares no Brasil". São Paulo, EDUSP, 1979.

MOURA, Roberto. "Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro". Rio de Janeiro, FUNARTE, 1983

RIO, João do. "As religiões no Rio". Rio de Janeiro: José Olympio, 2006

Site consultado: http://www.galeriadosamba.com.br/2002/EA.asp?qxepsepnnv34

 

Escrito por Feidman, Diogo. às 5h12 PM
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